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PROFESSOR: A PONTE INVISÍVEL

 A Parábola da Ponte Invisível   Havia um vale profundo, cheio de pedras e silêncio.  De um lado, o medo. Do outro, os sonhos.  As pessoas chegavam até a beira do vale e diziam:  - Não dá. É muito longe.  - É perigoso.  - Melhor voltar.  Mas alguém chegava antes delas, todos os dias. Silenciosamente ... Colocava uma tábua, uma corda, um apoio. Amarrava cada ponto com paciência. E ali, no meio do vazio, ia construindo uma ponte. Não para si. Mas para os outros. Muitos atravessaram. Nem todos notaram. Alguns correram, outros agradeceram. Mas todos chegaram mais longe ...  Porque alguém apontou o caminho, construiu a ponte, a possiblidade. O professor é a ponte invisível que sustenta travessias.  Pode até ser esquecido ... Mas sem ele, ninguém chega ao outro lado.   Apócrifo

SILÊNCIO

Existe um tipo de silêncio que não nasce do orgulho, e sim da exaustão.  É quando todas as palavras já foram usadas: em tom baixo, em tom alto, em forma de cuidado, em forma de pedido, em forma de súplica.  É quando falar começa a criar um eco dolorido, como se a própria voz voltasse vazia. Você explica o que sente, traduz, facilita. Diminui o tamanho da própria necessidade para ver se cabe no mundo do outro. E ainda assim, algo continua faltando.  Às vezes, você despeja o coração em linhas cuidadosas e recebe de volta um "também" que não alcança a dimensão do que foi entregue. Então a alma faz o que o corpo já vinha pedindo: recolhe-se. E quando a gente se cala por cansaço, não está pedindo que alguém venha nos salvar; está tentando se salvar do desgaste de sempre ser quem puxa, quem explica, quem sustenta o fio da conversa para que o vínculo não se rompa.  Alguns silêncios são abrigo, gestos de preservação com a própria dignidade, com a própria sanidade, com o próp...