EGO

 Discípulo: Mestre, por que eu me sinto diminuído quando alguém me corrige?

Mestre: Porque seu ego confunde correção com humilhação, e prefere parecer forte a aprender.

Discípulo: Mas eu só quero respeito, não aplauso.
Mestre: Se fosse respeito, você ouviria. Como é ego, você reage e tenta dominar a conversa, para não encarar a própria insegurança.

Discípulo: Eu discuto para me defender.
Mestre: Você discute para proteger uma imagem. O verdadeiro você não precisa se defender tanto. Só o personagem teme ser desmascarado.

Discípulo: E quando me ignoram, eu ardo por dentro.
Mestre: Esse ardor é fome de importância. O ego pede atenção como se fosse oxigênio, e transforma silêncio alheio em rejeição.

Discípulo: Então sou vaidoso?
Mestre: Você é humano. Mas quando a vaidade guia suas escolhas, você troca paz por palco.

Discípulo: Como percebo o ego no dia a dia?
Mestre: Quando você compara, exagera méritos, guarda mágoa e quer ser reconhecido até pelo que fez em silêncio. Também quando pede desculpas só para parecer bom.

Discípulo: E se eu soltar isso, fico fraco?
Mestre: Você fica leve. Força não é dureza; é firmeza sem necessidade de vencer, sem humilhar, sem ter a última palavra.

Discípulo: Por que é tão difícil largar?
Mestre: Porque o ego promete identidade pronta. Sem ele, você precisa se conhecer de verdade, e isso dá trabalho e medo.

Discípulo: Qual é o primeiro passo?
Mestre: Pare de alimentar a voz que exige ser especial. Seja útil, presente e simples, mesmo quando ninguém percebe.

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