LÁGRIMAS DE PAI - RAFAEL FARIA MORENO 24 08 1980 - 29 08 2026

 


Quando, numa certa etapa da vida, entendemos que não temos mais lágrimas, surpreendentemente a vida as arranca de algum lugar. 
Chorando há mais de 15 dias e não sei por quanto tempo mais.
Aos 46 anos, não posso dizer que o Rafael viveu a metade de uma vida. 
Ele faz tudo com intensidade: amar, beber, comer, criar, trabalhar. 
Saboreia a vida do jeito dele. Sabemos que continua seu aprendizado.
Ele olha para o infinito fixamente, um caminho a descobrir, e foi para explorar essa a imensidão.
Desesperado por conquistas, vive inovações, empreendeu negócios bem sucedidos, negócios mal sucedidos. 
Ele é amado por todas as pessoas que conheceu, conviveu.
Muito antes que nós, ele ama tudo que tem alguma relevância hoje: ambiente [animais, mar - pesca e praia -, plantas, rios e serras, pessoas, tecnologias...
Se em algum momento ele não foi capaz de expressar o amor, aqui está a Maria Antônia, sementinha - expressão do maior amor da vida dele a Beatriz -  que ele primeiro cativou em seguida nos levou para cultivar e que com amor faremos.
Sede e vontade de viver, o definem. Tenho convicção que todos nós que o amamos não tivemos ritmo para acompanhá-lo. Ele aprende,  raciocina e realiza num ritmo que eu, muito próximo, admiro e me espanto. 
Enfim, ele é e foi e continuará à frente de todos nós. 
Nós  viemos para o aniversário dele, não para uma despedida silenciosa, triste e que evidencia nossa impotência. 
No entanto, aqui estamos.
Enfim, a vida nos torce, tritura e arranja lágrimas, de onde, não importa. 
Ele se foi sangrando, literalmente. 
Disse, digo e reafirmo a ele: isso não é uma despedida. É um embarque... 
Aonde você for, nós estaremos juntos porque irei. 
Aonde eu for, nós estaremos juntos porque você estará comigo.
Eu continuarei vivo mais um pouco, - o quanto não importa - chorando, alimentando a falta dele com lágrimas e com a certeza de que em algum tempo nos encontraremos.
Tê-lo em nossas vidas é um privilégio.
Gratidão aos que tiveram a generosidade de estar conosco.

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