SOGYAL RINPOCHE - O livro tibetano da vida e da morte - notas de leitura

RINPOCHE, Sogyal (1947 - 2019). O livro tibetano da vida e da morte. Ed. Presença, Lisboa, 2016.


Todas as grandes tradições espirituais do mundo, incluindo evidentemente o cristianismo, nos dizem explicitamente que a morte não é o fim. Todas elas nos transmitem uma ideia de algum tipo de vida futura, incutindo um significado sagrado na vida que levamos  agora. Mas apesar destes ensinamentos, a sociedade moderna é de um modo geral um deserto espiritual, onde a maioria imagina que esta vida é tudo o que existe. Sem nenhuma fé real ou autêntica numa vida depois da morte, a maior parte das pessoas vive uma vida desprovida de qualquer verdadeiro significado.

BARDOS - são momentos críticos em que a possibilidade de libertação, ou iluminação é identificada.

Nunca sentiremos qualquer separação nem por um instante, somos peregrinos.

Pode haver uma ironia maior do que a de os jovens serem altamente educados em todas as áreas exceto na que detém a chave de todo o sentido da vida e talvez da nossa própria sobrevivência?

Podemos começar, aqui e agora, a procurar um significado para a nossa vida.

Podemos encarar cada momento como uma oportunidade para mudarmos e nos prepararmos - com empenho, precisão e paz de espírito.


O estado da sua saúde, em geral,

está muito ligado ao seu estado de espírito

e à sua maneira de ser. P.121

 

A verdade e a força impulsionadora por detrás do renascimento é o que se chama carma. No Ocidente, o carma é muitas vezes totalmente mal interpretado como destino ou fatalidade; a melhor forma de o encarar é como a lei infalível de causa e efeito que rege o universo. A palavra carma significa literalmente «ação», e é tanto o poder latente no seio das ações como também os resultados que as nossas ações acarretam. P. 136

Em termos simples, o que significa carma? Significa que o que quer que façamos, com o nosso corpo, fala ou mente, terá um resultado correspondente. Cada ação, até mesmo a menor possível, está impregnada com as suas consequências. P.137


 

A verdade e a força impulsionadora por detrás do renascimento é o que se chama carma. No Ocidente, o carma é muitas vezes totalmente mal interpretado como destino ou fatalidade; a melhor forma de o encarar é como a lei infalível de causa e efeito que rege o universo. A palavra carma significa literalmente «ação», e é tanto o poder latente no seio das ações como também os resultados que as nossas ações acarretam. P. 136

Em termos simples, o que significa carma? Significa que o que quer que façamos, com o nosso corpo, fala ou mente, terá um resultado correspondente. Cada ação, até mesmo a menor possível, está impregnada com as suas consequências. P.137

 

Sempre que agimos negativamente, isso conduz-nos à dor e ao sofrimento; sempre que agimos positivamente, isso acaba por resultar em felicidade. P.142


A nossa sociedade promove a esperteza em vez da sabedoria e enaltece os aspetos mais superficiais, fúteis e menos benéficos da nossa inteligência. Tornámo-nos tão falsamente «sofisticados» e neuróticos que tomamos a própria dúvida pela verdade, e a dúvida que não é mais do que a tentativa desesperada de o ego se defender da sabedoria é glorificada como o objetivo e fruto do verdadeiro conhecimento. P. 179

 

A nossa educação contemporânea incute-nos assim a glorificação da dúvida, criando, na verdade, aquilo que quase se poderia chamar religião ou teologia da dúvida, em que para se ser considerado inteligente é necessário mostrar que duvidamos de tudo, que apontamos sempre o que está errado e raramente perguntamos o que está certo ou é bom, denegrindo cinicamente todos os ideais espirituais e filosofias herdados ou o que quer que seja feito de simples boa vontade ou com um coração inocente. P.179

 

 

 

“...porque tu és pó e ao pó tornarás".Gênesis 3:19


P. 418 - UMA PRÁTICA DO CORAÇÃO 

Quero dar-lhe agora uma prática que pode realmente ajudá-lo quando está a sofrer uma profunda mágoa e desgosto. É uma prática que o meu mestre Jamyang Khyentse costumava ensinar às pessoas que estavam a passar por um tormento emocional ou angústia mental e esgotamento, e sei, por experiência própria, que pode proporcionar um enorme alívio e alento. A vida de alguém que ensina num mundo como o nosso não é fácil. Quando era mais jovem, houve muitos momentos de crise e dificuldade, e nessa altura invocava sempre Padmasambhava, como faço ainda hoje, pensando nele como igual a todos os meus mestres. Foi assim que descobri por mim próprio como esta prática é transformadora e porque é que todos os meus mestres costumavam dizer que a prática de Padmasambhava é a mais útil quando passamos por uma grande inquietação, uma vez que tem o poder que precisamos para enfrentar e sobreviver à confusão caótica desta época. Assim sendo, sempre que estiver desesperado, angustiado ou deprimido, sempre que sentir que não tem forças para continuar a viver ou sentir o seu coração destroçado, aconselho-o a realizar esta prática. As únicas condições para garantir a sua eficácia são que precisa de a efetuar com todo o seu fervor e precisa de pedir ajuda, mas de um modo realmente convicto. Mesmo se meditar, sentirá uma dor emocional e sofrimento, e muitos aspetos das suas vidas passadas ou desta podem emergir que serão difíceis de enfrentar. Pode aperceber-se de que não tem a sabedoria nem a estabilidade na sua meditação para lidar com eles e que a meditação por si só não é suficiente. Nessa altura, o que precisa é daquilo que costumo chamar «uma prática do coração». Sinto-me sempre triste em relação às pessoas que não têm uma prática como esta para as ajudar em momentos de desespero, porque se tivessem saberiam que têm algo infinitamente precioso, que acaba por se tornar também numa fonte de transformação e força incessante. 

1.       Invocação

Invoque no céu à sua frente a presença do ser iluminado que mais o inspire e considere... [   ] Mesmo que não consiga imaginar nenhuma forma na sua mente, sinta apenas a sua presença de uma forma intensa e invoque o seu poder, compaixão e bênção infinitos.

2.       Apelo

Abra o seu coração e invoque esse ser com toda a dor e sofrimento que estiver a sentir. Se tiver vontade de chorar, não se retraia: deixe as lagrimas correr e peça realmente ajuda. Saiba que há alguém que está totalmente disponível para si, alguém que o ouve e compreende com amor e compaixão, sem nunca o julgar: um amigo supremo. Chame-o, a ele ou a ela, do amago do seu sofrimento, recorrendo ao mantra OM AH HUM VAJRA GURU PADMA SIDDHI HUM, o mantra que tem sido usado durante séculos por centenas de milhares de seres como uma fonte regeneradora de purificação e proteção. 

3.       Encher o Coração de Felicidade

Imagine e saiba agora que o ser iluminado a quem está a apelar lhe responde com todo o seu amor, compaixão, sabedoria e poder. Tremendos raios de luz irradiam em direção a si a partir dele ou dela. Imagine essa luz z como um néctar, preenchendo completamente o seu coração e transformando todo o seu sofrimento em felicidade.

Tantas vezes queremos felicidade, mas a própria forma como a procuramos é tão desajeitada e inapropriada que apenas nos causa mais transtorno. Normalmente, presumimos que temos de agarrar para conseguir algo que garanta a nossa felicidade. Perguntamo-nos: Como é possível desfrutar algo se não pode ser nosso? Quantas vezes se confunde apego por amor! Mesmo quando a relação é boa, o amor é corrompido pelo apego, com a sua insegurança, possessividade e orgulho; e de seguida, quando o amor acaba, tudo o que resta são as «recordações» do amor, as cicatrizes do apego.


Como podemos então vencer o apego? Apenas compreendendo a sua natureza impermanente; este entendimento liberta-nos lentamente do seu domínio.

P. 59

 

Contemple ainda mais profundamente a impermanência e verificará que tem outra mensagem, uma outra face, a de uma grande esperança, que abre os seus olhos para a natureza fundamental do universo e para a nossa relação extraordinária com ele. Se tudo é impermanente, então tudo é o que chamamos «vazio», que significa ausência de qualquer existência duradoura, estável e inerente; e todas as coisas, quando encaradas e compreendidas na sua verdadeira ligação, não são independentes mas interdependentes umas das outras.P.61


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