ARISTÓTELES (384 a.C. - 322 a.C.). De Anima. - São Paulo: ed. 34, 2006.
[1] Além de estar na origem da psicologia como disciplina teórica, o tratado de Aristóteles tem, laços ancestrais com a biologia. E, de fato, voltou à cena no debate contemporâneo sobre o problema mente-corpo, que estimulou significativa parte da pesquisa em filosofia antiga sobre o De Anima. Por isso a herança de Aristóteles tem sido pleiteada por mais de uma corrente filosófica.
[2] No que concerne ao exame da alma como princípio dos desejos, pensamentos e ações do homem, De Anima é também relevante para a ética. No tratado, além de apresentar parâmetros gerais da complexa relação entre a razão e a vontade na conduta, Aristóteles levanta o problema da escola intertemporal.
p. 17 - Introdução da tradutora: MARIA CECÍLIA GOMES DOS REIS
Essa obra é dedicada ao estudo da alma, sua essência, seus atributos e suas faculdades. Após uma exposição geral e uma breve história das doutrinas sobre a alma que precederam a sua, o estagirita exclui a hipótese de alma automotriz para apresentar sua própria definição: a alma é substância, "enteléquia" (potencia e ato), ou ainda noção, forma, por oposição a matéria, substrato. A alma é vegetativa, sensitiva, ou racional (no princípio do pensamento). Por fim, a alma é "os seres mesmos". Esse tratado é também conhecido por sua teoria da imaginação, segundo a qual não há imaginação sem sensação.
Classificado hoje em dia entre os textos referentes à física, esse tratado, por sua importância, conclui em psicologia a filosofia aristotélica da natureza.
HUISMAN, Denis. Dicionário de obras filosóficas. Martins Fontes, 2000.
O vivente: aquele que possui em si o princípio de seu movimento
Aristóteles coloca em evidência o fato de que tudo ser vivo possui uma alma, que ele chama de enteléquia. Ela constitui o princípio de sua organização. As plantas têm uma alma vegetativa, os animais uma alma sensitiva, e os seres humanos uma alma racional. O ser humano não existe em ato (não é verdadeiramente ser humano), portanto, senão quando faz uso de sua razão.
A alma é o princípio de organização dos corpos, ela é sua forma, porém não uma forma transcendente, como em Platão. Intrinsecamente unida ao corpo, ela desaparece com ele. Essa visão unitária do ser humano constituirá depois, para Tomás de Aquino, que tenta conciliar as teses aristotélicas com o cristianismo no século XIII, sua principal dificuldade.
GRISSAULT, Katy. 50 autores-chave de filosofia. Vozes, 2012. p. 29
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