SILÊNCIO
Existe um tipo de silêncio que não nasce do orgulho, e sim da exaustão.
É quando todas as palavras já foram usadas: em tom baixo, em tom alto, em forma de cuidado, em forma de pedido, em forma de súplica.
É quando falar começa a criar um eco dolorido, como se a própria voz voltasse vazia. Você explica o que sente, traduz, facilita. Diminui o tamanho da própria necessidade para ver se cabe no mundo do outro. E ainda assim, algo continua faltando.
Às vezes, você despeja o coração em linhas cuidadosas e recebe de volta um "também" que não alcança a dimensão do que foi entregue. Então a alma faz o que o corpo já vinha pedindo: recolhe-se.
E quando a gente se cala por cansaço, não está pedindo que alguém venha nos salvar; está tentando se salvar do desgaste de sempre ser quem puxa, quem explica, quem sustenta o fio da conversa para que o vínculo não se rompa.
Alguns silêncios são abrigo, gestos de preservação com a própria dignidade, com a própria sanidade, com o próprio amor. Nem todo silêncio é ausência. Às vezes, é sobrevivência.
Apócrifo
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